
Leitura Bíblica em Classe - Jeremias 35.1-5, 8, 18, 19
INTRODUÇÃO
Na lição desse fim de semana, Jeremias se utiliza do exemplo dos recabitas, que se recusaram a beber vinho, porque o pai da família havia determinado que seus descendentes não bebessem vinho. Assim aprendemos que a obediência é uma prova do nosso amor a Deus. E também qual a origem dos recabitas, o seu estilo de vida, e o exemplo deixado por eles, seguindo a tradição de seus pais.
A ORIGEM DOS RECABITAS
Era uma tribo nômade, que se destacou por seguir a tradição de seus pais. Uma das palavras-chave da presente lição é Tradição. Ela se acomoda perfeitamente no desenvolvimento preconceituoso da semantização que ela propõe hoje. As pessoas não se sentem a vontade ao ouvir a ideia de retorno à tradição ou o convite à conservação da tradição deixada pelos antigos. Veja o que os principais dicionários falam acerca do significado do termo tradição:
“Ato ou efeito de transmitir ou entregar; conjunto dos valores morais, espirituais etc., de uma geração para outra”.
“A palavra grega paradosis ocorre 13 vezes no NT e é usada no sentido de um ensino que é transmitido de uma pessoa ou grupo para uma pessoa ou grupo.”
“Paradosis (gr.) condução para baixo, transmissão à geração seguinte ou condução em passagem seguinte, passagem adiante, transmissão denota tradição, e, consequentemente, por metonímia: os ensinos dos rabinos (Mt 15.2,3,6); os ensinos apóstolicos (1 Co 11.2), podendo aludir a doutrina cristã em geral para afirmar a autoridade divina”.
É claro que o extremo, como houve no tempo de Jesus, da tradição segundo o sentimento humano, foi opressor e manipulador. Nesse contexto a tradição não trazia a cura da alma, sendo uma realidade frustrante em muitos arraias ainda hoje. Jesus e os apóstolos sentiram isso na pele. Mas esse sofrimento não influenciou em nada o entendimento dos primeiros discípulos na cultivação sadia dos princípios ensinados pelo seu Senhor, conforme nos relata John Stott: “Lemos que imediatamente depois do Dia de Pentecoste, os crentes cheios do Espírito estavam unânimes todos os dias no Templo, partindo o pão em casa, At 2.46. Assim, eles não rejeitaram imediatamente a igreja institucional”.
Sobre isso Stott continua:
Todos nós concordamos em que o Espírito Santo pode ser (e às vezes tem sido) aprisionado por nossas estruturas e sufocado por nossas formalidades. Contudo, há algo a ser dito em relação ao outro extremo. Liberdade não é sinônimo de anarquia.Justificando que nem toda tradição deve ser lançada fora, Stott sentencia:
Mas não podemos refugiar-nos na doutrina da invisibilidade da Igreja verdadeira para negar que Jesus Cristo tinha em mente que seu povo fosse visto e conhecido como tal. Ele mesmo insistiu no batismo como cerimônia de iniciação na sua Igreja, e batismo é um ato visível e público. Ele também institui a Santa Ceia como a refeição da comunhão cristã, pela qual a Igreja identifica a si mesma e exercita disciplina sobre os seus membros.
“Deus se utiliza do exemplo dos recabitas para ensinar a seu povo a respeito da fidelidade”.
O ESTILO DE VIDA DOS RECABITAS
Em meio a apostasia de Israel encontramos os filhos de Jonadabe desenvolvendo em suas vidas a temperança, a modéstia e a fidelidade. Eles mantinham os votos feitos aos seus pais. Obedeciam as leis e por fim os vemos sendo recompensados. Praticavam a abstinência de bebidas fortes, faziam suas peregrinações e honravam assim as tradições dos seus antepassados.
Ainda que não fosse proibido o consumo de vinho entre os judeus na época de Jeremias, os recabitas, em obediência ao seus antecipados, não aceitaram a proposta do profeta: “Mas habitamos em tendas, e assim obedecemos e fazemos conforme tudo quanto nos ordenou Jonadabe, nosso pai” (Jr. 35.10). Os princípios desses homens foram reconhecidos e recompensados pelo Senhor, pois serviram de instrução para os habitantes de Judá daquele tempo (Jr. 35.18,19). Isso porque a atitude dos recabitas deveria servir de exemplo para os líderes de Judá. Se o mandamento de um homem, Jeonadabe, era respeitado e obedecido pela sua família, por mais de duzentos anos, porque o povo de Judá não fazia o mesmo em relação aos princípios do Altíssimo? Se as palavras de homens eram colocadas em tal patamar, por que não as palavras do Senhor, expressas pelos profetas repetidamente? A dedicação que determinadas pessoas têm pelas tradições familiares, e mesmo por suas religiosidades, devem servir de reflexão para os cristãos, a fim de que esses possam atentar para o valor da Eterna Palavra de Deus. Somente para ilustrar, no filme Carruagens de Fogo, baseado na história real do missionário escocês Eric Liddell, mostra uma cena na qual o jovem competidor cristão se indispõe a participar de uma corrida porque essa se realizará no dia do Senhor. O líder do seu país, ao invés de criticá-lo, o elogia pela firmeza em seus princípios. O principal desafio para os cristãos, em meio a uma sociedade sem princípios, é manter os ensinamentos da Escrituras, não apenas em palavras, mas, principalmente em ações.
O CRISTÃO E A TEMPERANÇA
A palavra “temperança”, também traduzida por autocontrole e domínio próprio, é enkrateia no grego do Novo Testamento. Em sua forma nominal - como substantivo - aparece três vezes, em Gl. 5.22 0 para designar um dos aspectos do fruto do Espírito; At. 24.25 - quando Paulo se dirigia ao governador Felix; e II Pe. 1.6 - compondo a lista uma das listas das virtudes cristãs. Em I Co. 9.25 Paulo usa essa palavra na forma verbal para referir-se à disciplina criteriosa dos atletas em treinamento. Do mesmo modo se refere o Apóstolo, em I Co. 7.9, para ressaltar a importância de o crente ter domínio sobre os desejos sexuais. Entre os filósofos gregos, Platão e Aristóteles, essa palavra fora utilizada para descrever o ascetismo, isto é, a abstinência dos desejos. Em Rm. 8.5-9 Paulo mostra o segredo da temperança. Para esse, em consonância com Ef. 5.18, a temperança é resultado de uma vida controlada pelo Espírito. O cristão controlado pelo Espírito, anda nEle e produz o Seu fruto (Gl. 5.22). É necessário destacar que não se trata de ascetismo, pois, já nos tempos de Paulo, havia quem pregasse a total abstenção da carne e do casamento (I Tm. 4.3,4). A temperança na vida do cristão deva ser apresentada através do equilíbrio no falar (Tg. 3.2), dos desejos sexuais (I Co. 7.9; I Ts. 4.3-8), no cotidiano (I Co. 6.12-20), no uso do tempo (Lc. 12.35-48; I Ts. 5.6-8)m no domínio da mente (Rm. 13.14; Fp. 4.8).
CONCLUSÃO
Jesus é o maior exemplo de temperança para o cristão. Pois ele, muito embora tenha sido tentado em tudo, não pecou (Hb. 4.15). Com base na experiência da tentação de Jesus, registrada em Lc. 4.1-13, podemos aprender, para o desenvolvimento da temperança, que é fundamental o contato contínuo com o Espírito Santo. A mente do cristão deva estar voltada para Deus, edificada pela Palavra do Senhor e pela oração, na prática de disciplina do domínio próprio.
O que assistimos nestes finais dos tempos é tão forte e corrupto que essa degeneração está adentrando nas Igrejas, deturpando o último reduto de seriedade e sobriedade que nos resta.
Estão tentando tirar a força doutrinária da cristandade no que se trata da moral, ética e principalmente da santidade que Deus exige - Hb 12:14; I Ts.4:13; 5:23.
Infelizmente estamos vendo Igrejas e mais Igrejas aparecerem com novas revelações e pseudos ensinamentos doutrinários. Senão, vejamos: Já existem Igrejas…
• (1) - Para quem gosta de beber cerveja sem álcool;
• (2) - Para quem gosta de fumar cigarro sem nicotina;
• (3) - Para quem gosta de bigamia;
• (4) - Para quem gosta de prostituir-se com a prática do homossexualismo ou o lesbianismo.
“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).
- Enchei-vos deixa claro que o estar cheio do Espírito não se completa com uma única experiência, mas é mantida por ser continuamente cheio, isto é, ser enchido repetidas vezes numa renovação de vida constante conforme ordenado nesta perícope. O início da vida cristã é marcado pelo selo do Espírito (Ef 1.13,14; 4.30), o qual não se repete; o encher-se do Espírito pertence à vida cristã inteira, devendo ser continuamente buscado. Esse entendimento é corroborado pela passagem paralela desse texto em Cl 3.15, 16, onde Paulo exorta aos cristãos para que deixem a Paz de Cristo governar seus corações e permitir que a palavra de Cristo habite ricamente neles. Estar cheio do Espírito é estar cheio de Cristo e da sua Palavra (Jo 14.16,26; 16.12-15; 17.17).
BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.
DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE. Rio de Janeiro, CPAD.
DICIONÁRIO VINE. Rio de Janeiro, CPAD.
DICIONÁRIO HOUAISS da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, EDITORA OBJETIVA.
STOTT, John R. W. Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro, CPAD.
amei este site! principalmente esta mensagem para os dias em q/ estamos vivendo!!
A Paz do Senhor Jesus!
Gentileza me encaminhar por e-mail um esclarecimento relativo a algumas perguntas:
1. Como posso afirmar biblicamente que o vinho servido por Jesus não era alcoólico?
2. Qual o processo de fabricação de vinho utilizado no período bíblico?
3. Qual o motivo do vinho estar no templo, ou ele foi levado para lá apenas para testar a postura dos recabitas?
Gostaria de parabenizar pelo trabalho postado periodicamente, muito rico. Que Deus continue abençoando seu ministério.
Que bençao Pr Jairo para nos que somos obreiros.Continue assim com esse compromisso com a escola dominical pois e bençao para todos.
Pastor Jairo, quero agradecer mais uma vez pelo ensinamento da palavra de Deus, que o Senhor Jesus continue lhe abençoando e preservando esses ensinamentos.
Benção de Deus esta lição.
Hoje mesmo ja vou aproveitar pra aplicar no estudo com os profesores.
Deus te abençoe pastor jairo.
obg.
paz
Graças a Deus depois de várias tentativas consegui enviar os e-mais para minha família ,essa pregação veio numa hora certa. Deus o abençõe.
Sinto ,deve haver algum erro no envio de e-mail ,desejei enviar para meu esposo e meus filhos e não entrou ,uma mensagem dessa é muito importante a igreja de um dos meus filhos libera beber vinho.
A Paz do Senhor, apenas uma sugestão que já faz tempo que sugeri: Porque as nossas Igrejas Assembléia de Deus não voltam a fzar o estudo dos professores aos sábados, ou em qualquer outra data já que tem igreja que a EBD é aos sábados.
