
Leitura Bíblica em Classe: Jeremias 30.7-11
INTRODUÇÃO
Como ter esperança em meio ao caos? Não é fácil mais é possível. Basta observarmos a vida do profeta Jeremias. Aprendemos na lição que podemos ter esperança mesmo enfrentando adversidades. Afinal o que é ter esperança? E a noite de angustia de Jacó? Depois veremos que a manhã radiosa sempre chegará, no restabelecimento de Israel. A profecia bíblica tem uma particularidade em relação ao povo de Israel. Este povo protagoniza a maior parte da profecia, aproximadamente 70% dela. Para fazer este diagnóstico é preciso responder algumas perguntas: A profecia no Antigo Testamento tem como o público alvo quem? Todas as profecias em relação a Israel se cumpriram? Deus prometeu uma terra no Oriente Médio para a Igreja ou Israel? Essa promessa se cumpriu literalmente? Essas questões nos dias hodiernos têm despertado sentimentos opostos em relação à nação de Israel.
A eleição do método de interpretação da Escatologia tem levado à obtenção de informações distintas em relação ao papel que Israel desempenha na profecia bíblica. Ao longo da história da igreja, alguns métodos foram desenvolvidos no compromisso de extraírem do texto bíblico a verdade mais clara e objetiva possível quanto ao esclarecimento do assunto.
No contexto do Terceiro Século da Era Cristã, o período patrístico (desenvolvimento da doutrina pelos pais da igreja), se destacam três grandes escolas catequéticas de interpretação: Alexandria, Antioquia e Ocidental. Porém, a escola catequética de Alexandria destacou-se por desenvolver um método natural de harmonia entre a teologia e a filosofia (neoplatonismo) e desencadeiou um dos principais métodos de interpretação das Escrituras na igreja antiga: o método Alegórico. Ele foi propagado pela escola de Alexandria e representado respectivamente por Filo, Clemente de Alexandria e Orígenes respectivamente. A proposta era que toda a Escritura devia ser interpretada alegoricamente.
O clérigo cristão, formado por bispos e sacerdotes romanos influenciados por esse princípio hermenêutico, insistiu que o império tratasse o judaísmo com severidade, porque a perda do estado palestino (destruição de Jerusalém e do Templo no ano 70) era um sinal claro de que Deus rejeitara o povo judeu. É nesse contexto que a Teologia da Substituição ganha força, e a Igreja romana arroga para si o título de o novo “Israel de Deus” e julga Israel como o “povo rebelde que matou Jesus” e fora rejeitado para sempre.
A teologia da substituição entende que o moderno Estado israelense é apenas um acidente na história, sem nenhuma relação com a profecia bíblica. Segundo esta visão, quando Israel rejeitou o messiado de Jesus, Deus rejeitou o povo judeu. Assim, todas as profecias sobre o povo judeu já estariam cumpridas e não haveríamos de esperar nenhuma futura restauração. Deus transferiu para a Igreja todas as promessas de sua aliança com Israel, de modo que todas as promessas ainda não cumpridas serão concretizadas na Igreja. As profecias que falam sobre uma reunião mundial do povo judeu não devem ser entendidas de forma literal. Na verdade, falam sobre Deus reunindo seus eleitos na Igreja até que esta se complete. Os judeus de hoje podem ser salvos em Cristo, mas é necessário que se unam à Igreja. Deus não planejou uma restauração futura do povo de Israel como grupo étnico. Nada do que esteja acontecendo hoje com Israel está relacionado às profecias, e o povo judeu não possui nenhum futuro profético.
A Assembleia de Deus no Brasil adota o método sadio de interpretação, mais conhecido como “Histórico-Gramatical” . Esse método procura interpretar o texto bíblico compreendendo o seu contexto histórico e a semântica das palavras de acordo com as regras gramaticais. O texto bíblico é tratado com literalidade o que é inequivocamente literal e figurativo o que é claramente figurado. Estas regras de interpretação são estabelecidas de acordo com o que convencionalmente é aceito na comunidade internacional, ou seja, a interpretação do texto deve levar em conta o que o autor pensou, quis dizer, disse e o seu contexto vivencial. O método alegórico anula o que o autor disse e o seu contexto, propondo uma interpretação baseada nos pressupostos do intérprete em detrimento do contexto histórico e gramático do texto em análise.
Algumas escolas de interpretação que sofreram influências do Racionalismo, Existencialismo e Iluminismo têm dificuldades em analisar e afirmar a relevância de Israel hoje. O método que mais encarna essa influencia é o Histórico-Crítico, que como muleta tende a “desmitologizar” a Bíblia, fazendo do trabalho crítico (não o que faz a crítica textual) um pressuposto de anulação das Sagradas Escrituras.
Portanto, considerando o método histórico-gramatical, a nação de Israel possui um papel determinante na profecia bíblica. Há no texto bíblico, claros sinais de que Deus tratará com o seu povo, Israel, de forma distinta, objetiva e coletiva como vem acontecendo acerca dos séculos (Diáspora, pogroms dos czares na Rússia, o Holocausto na Alemanha, etc…). Constatar que Deus está no controle da história humana e a conduz com suas bondosas mãos, gera em nós um sentimento de Esperança que só nEle se pode achar.
I – O QUE É A ESPERANÇA?
Uma das virtudes fundamentais da fé cristã, através da qual, o crente é motivado a crer no impossível e a vislumbrar a intenção divina nos momentos mais críticos.
1. A ESPERANÇA COM FÉ ENXERGA NOVOS COMEÇOS
No profundo da desolação a profecia se cumpre - Jeremias 30.7 Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Mateus 24.21 Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.
Os julgamentos divinos sempre são remediais - Jeremias 30.8 Porque será naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei as tuas ataduras; Ezequiel 36.26 E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
Da disciplina corretiva viria tempos de refrigério - Jeremias 30.8b…e nunca mais se servirão dele os estranhos Romanos 11.26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades.
2. A ESPERANÇA SEMPRE CRÊ EM TEMPOS MELHORES
Os pactos divinos não são provisórios e sim eternos - Jeremias 30.9 mas servirão ao SENHOR, seu DEUS, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. 2 Samuel 7.12 E prepararei lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, para que habite no seu lugar, e não mais seja removido, e nunca mais os filhos da perversidade o aflijam, como dantes,
A vida soergue das suas raízes que não morreram - Jeremias 30.10a… Não temas, pois, tu, meu servo Jacó, diz o SENHOR, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei das terras de longe, Ezequiel 37.12 Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
Os males do passado são anulados pela restauração - Jeremias 30.10b…e a tua descendência, da terra do seu cativeiro; e Jacó tornará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. Zacarias 9.12 Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos restaurarei em dobro.
3. A ESPERANÇA VÊ UM TEMPO DE VIVER EM BÊNÇÃOS
A presença divina é garantida com o seu povo - Jeremias 30.11a… Porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te salvar, porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, Mateus 25.32 E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
A salvação divina envolve processos dolorosos - Jeremia 30.11b…porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida e, Lucas 12.47 E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;
A correção divina adverte distanciar do pecado - Jeremias 30.11c…de todo, não te terei por inocente. Gálata 6.7 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
II - A ANGÚSTIA DE JACÓ
Além das profecias acerca da restauração futura de Israel, Jeremias profetizou também sobre uma grande tribulação que ainda está por vir, não apenas sobre a nação de Israel, mas também sobre todo o mundo. Este período é descrito na Bíblia como “Grande Aflição” (Mt 24.21), “Grande Angústia” (Dn 12.1), “Angústia de Jacó” (Jr 30.7), “Dia do Senhor” (Sf 1.14), “Ira do Cordeiro” (Ap 6.15-17) e “Grande Tribulação” (Ap 7.14).
3.1 Quando terá início a Grande Tribulação? Não podemos afirmar ao certo quando ocorrerá a G.T., mas, podemos dizer que ela terá início logo após o arrebatamento da Igreja; pois, como se trata do período da ira de Deus, a igreja não estará na terra durante este período (1 Ts 1.10; 5.9; Lc 21.35,36; Ap 3.10).
3.2 Quem passará pela Grande Tribulação? Dois grupos distintos de pessoas passarão pela Grande Tribulação:
Os judeus que não tiverem aceitado a Cristo. De acordo com Jeremias, este período é descrito como a angústia de Jacó:
“Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela” (Jr 30.7). Deus executará seu juízo para com o seu povo para expurga-lo e leva-los ao arrependimento (Ez 20.34-37; Zc 13.8,9; Mt 23.39).
Os gentios. Nesse período, Deus executará seu juízo, não apenas sobre os judeus, mas também sobre os gentios. Em (Is 13.11) a Palavra de Deus nos diz: “E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos”. Além disso, podemos observar que entre os mártires, haverá pessoas de todas as nações da terra: “Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos” (Ap 7.9,13,14).
De acordo com a profecia de Daniel (Dn 9.24-27), a G.T. terá uma duração de sete anos, dividido em dois períodos de três anos e meio de duração. A descrição mais detalhada desse evento encontra-se no livro de Apocalipse, sendo que, do capítulo 6 ao capítulo 9, abrange a primeira fase e, do capítulo 10 ao capítulo 18 abrange a segunda fase. O primeiro período é chamado de “Tribulação”; e o segundo é chamado de “Grande Tribulação”. Na primeira fase, o anticristo irá enganar Israel, como se fosse o próprio Cristo. No meio da G.T. ele irá fazer cessar os sacrifícios no templo e a oferta de manjares (Dn 9.27; Mt 24.15; Mc 13.14);
Israel, então, há de saber que ele não é o Messias e irá se rebelar contra ele. Então, terá início a segunda fase, onde o anticristo irá guerrear contra Israel. Quando Jerusalém estiver cercada de exércitos das nações confederadas sob a liderança do anticristo, e os judeus estiverem a ponto de serem tragados pelo inimigo, então clamarão a Deus em busca de socorro (Is 64.8-12); nessa ocasião o Senhor Jesus descerá em seu socorro sobre o Monte das Oliveiras, em Jerusalém (Zc 14.3,4), para julgar as nações e implantar o seu reino milenial.
III - O RESTABELECIMENTO DE ISRAEL
Israel enfrentou três grandes dispersões:
Em 721 a.C, o imperador assírio Sargão II levou para o cativeiro o reino do Norte (dez tribos) para a Assíria (2 Rs 17.6) e enviou povos de seus domínios, inclusive de Babilônia, para repovoar as cidades de Samaria (2 Rs 17.24; Ed 4.2,10). Eles nunca mais retornaram do cativeiro e deu-se origem à religião mista dos samaritanos (2 Rs 17.29-41), que se prolongou até os tempos do Novo Testamento (Jo 4.9).
Em 606 a.C. foi a vez do reino do Sul, quando Nabucodonosor subjugou Jeoaquim, rei de Judá, que ficou sendo seu servo; saqueou o templo e levou cativos os membros da família real, inclusive Daniel (Dn 1.1-3,6). Em 597 a.C. Nabucodonosor voltou e levou o rei Joaquim (filho de Jeoaquim) além de 10.000 outros judeus, e colocou Zedequias, irmão de Joaquim, como rei em lugar deste (2 Rs 24.10-17; 2 Cr 36.9,10); E, em 587 a.C. O exército de Nabucodonosor sitiou a cidade de Jerusalém e, um ano e meio depois, a cidade foi incendiada e o templo destruído totalmente. Os que não foram mortos à espada, foram levados cativos (II Rs 25.1-22; Jr cap. 39,52). Este cativeiro durou setenta anos (de 606-536 a.C).
A terceira dispersão ocorreu por volta do ano 70 da era cristã, quando mais uma vez Israel foi espalhada pelo mundo e esteve sem pátria por cerca de 2000 anos. Mas, o Senhor Jesus havia predito o estabelecimento da nação mais uma vez: “Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas” (Mt 24.32,33). Depois de quase vinte séculos espalhada pelo mundo, o que parecia impossível aconteceu (Is 66.8): Israel voltou a ser uma nação, e, em 14 de maio de 1948 foi declarada a independência da nação de Israel e judeus de todas as partes do mundo retornaram à sua pátria.
CONCLUSÃO
A mensagem de Jeremias não era apenas de caráter condenatório. Ele também profetizou futuras bênçãos que, após o exílio babilônico viriam sobre a nação, onde o próprio Deus iria restaurar àquela nação (Jr 31.23), permitindo ao povo desfrutar de seus antigos privilégios (Jr 30.20). Ele predisse ainda que a devastada cidade de Jerusalém voltaria a ser habitada (Jr 30.17-20) e reconstruída (Jr 31. 4,38; 33.7) a ponto de cada edificação destruída pelos babilônicos ser reerguida em seu lugar original (Jr 30.18); que as peregrinações a Jerusalém voltariam a ocorrer, realizadas não apenas pelo povo judeu (31.6; 12-14; 31.11), mas também do mundo inteiro (31.17); e que Jerusalém será chamada de “o Trono do Senhor” (3.17), “morada de justiça” e “santo monte” (31.23), além de “o Senhor é nossa justiça” (33.16; 23.6). Algumas dessas profecias já se cumpriram. No entanto, muitas delas só terão seu cumprimento no futuro, quando o Senhor Jesus, por ocasião da Segunda Fase de sua Segunda Vinda, implantar o Reino Milenial (Ap 20.1-6).
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Abraão de. Israel, Gogue e o Anticristo. Rio de janeiro, CPAD.
Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
O Calendário da Profecia. Antônio Gilberto. CPAD.
Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Tim Lahaye. CPAD.
Estou muito agradecido por este comentário feito pelo Pr. Jairo.Me ajudado bastante neste domingo tamb..Deus seja louvado.
Peço que nunca retirem este comentário,pq é bença pura....oh glória
Aqui estou para agradecer pela valiosa cooperaçao que o Pr jairo tem dado aos professores e obreiros de um modo geral.Que deus continui lhe usando na area do ensino.
