
Quem conheceu e conviveu com o pastor Claudionor Tenório Cavalcante lembra o empenho e a dedicação dele à obra do Senhor. Com a vocação de evangelista, logo encontrou o caminho missionário e conquistou muitas vidas para Cristo. A história deste batalhador da fé é contada pela esposa, Quitéria Alves Cavalcante e por um dos nove filhos, Daniel Cavalcante.
Pelas recordações dos parentes e por um pedaço de papel que o pastor datilografou relatando alguns fatos, foi possível saber informações preciosas sobre a trajetória de vida dele. Nasceu em 14 de dezembro de 1937, no município de Messias, fruto do casamento entre o ferroviário Justo Tenório Cavalcante e da dona de casa Maria José da Silva.
A infância parecia bem até ele completar 12 anos. Os pais resolveram se separar obrigando o menino a decidir qual rumo tomar, se ficaria com o pai ou com a mãe. A figura masculina sobressaiu e a vida passou a ser outra. A madrasta – Filomena de Jesus Cavalcante – que viria a seguir se tornaria uma verdadeira mãe para o garoto. A moradia agora passou a ser em uma casa localizada em terras de uma usina, em Rio Largo.
O casamento do pai lhe presenteou com dois irmãos. Já a união da mãe trouxe três herdeiros. O convívio sempre foi harmônico. Dentro de casa, Francisco era o xodó da família e um dos mais paparicados.
Na fase da adolescência ajudou muito os pais trabalhando na feira. Quando foi crescendo conseguiu uma vaga em um restaurante, mas logo depois, influenciado pelo pai, entrou em um colégio de padres. Justo Tenório era funcionário público e pela posição social que tinha não foi difícil articular o estudo para o filho. Além disso, havia a determinação para nunca entrar numa igreja evangélica para não se contaminar com os ‘bodes’ crentes, como eram taxados os protestantes em épocas passadas.
Quando estava próximo de completar 18 anos fez o alistamento nas Forças Armadas e passou a contribuir com o Exército Brasileiro. A nova rotina de trabalho não permitia mais a freqüência às aulas da escola católica. Numa noite, quando ele estava a caminho de um baile na companhia dos amigos, passou em frente à Assembléia de Deus em Murici. O louvor entoado pelo coral fez com que ele desistisse de ir à festa e assistisse ao culto da janela do templo. Os amigos seguiram para o destino.
O coração já amolecido pela Palavra de Deus o incentivou a retornar ao culto na semana seguinte. O propósito seria aceitar Jesus; e foi o que aconteceu no dia 26 de dezembro de 1955. O pastor da congregação era José Antônio Almeida. A partir daquele momento começava a dar os primeiros passos, porém o que ardia em seu coração era ganhar almas para Cristo. “Ele gostava muito de sair de bicicleta com os irmãos para evangelizar”, lembra Quitéria Alves Cavalcante, a esposa.
O batismo nas águas aconteceu no dia 3 de setembro de 1956 e foi celebrado pelo saudoso pastor Antônio Rêgo Barros. Dez meses após esta bênção, foi agraciado com o batismo pelo Espírito Santo.
O relacionamento afetivo começou de uma forma diferente. A turma de recrutas do Exército em que ele estava inserido foi mobilizada em 1957 para o município de Arapiraca, agreste de Alagoas. A tropa reforçaria a segurança na cidade por conta da grande movimentação em decorrência do falecimento de um parlamentar.
Quitéria Alves, crente desde criança, conheceu o rapaz, a paquera foi iniciada, porém foi interrompida pela viagem a Israel por convocação do Governo brasileiro. Os soldados foram enviados pela ONU com o objetivo de dar suporte às tropas de outros países durante a guerra que castigava os israelenses. O conflito gerou a tomada do Monte Sinai. Porém, antes de se tornar expedicionário, Claudionor Tenório prometeu casar com a pretendente assim que retornasse.
Com o fim da guerra, após um ano de um mês, a tropa brasileira voltou para o Brasil. Mesmo com o pedido do comandante para que ele fixasse residência no Rio de Janeiro, o propósito de casar estava arraigado no coração dele. Durante a viagem, comprou o vestido da noiva, o terno, alguns objetos para casa e ainda ganhou um som do major. Enquanto estava na missão, arrumava um jeito de enviar sempre uma carta para a amada. Nos escritos, havia sempre a promessa de que os dois seriam muito felizes juntos.
O reencontro foi emocionante e a surpresa dela com a estrutura praticamente pronta para a cerimônia, marcada para o dia 13 de janeiro de 1959, em Arapiraca. Durante seis anos o casal morou neste município e foi lá que Deus fez de Claudionor Tenório um grande ganhador de almas. Serviu ao Senhor como porteiro e professor da Escola Dominical, porém o desejo maior era de sair pelas ruas entregando folhetos e participando de concentrações.
Nove filhos nasceram como recompensa da união. São eles: Débora, Daniel, Dário, Dileã, Diná, Dilson e Danjaine. Dois deles morreram ainda pequenos. Dileã é casada com o pastor Néstor Morocha, um dos filhos na fé de Claudionor Tenório, quando foi missionário na Bolívia.
Com o bom desempenho na obra do Senhor, foi separado ao diaconato no dia 6 de outubro de 1963. A indicação veio do pastor Moreira da Costa, que estava em Arapiraca. A consagração ao presbitério aconteceu em outubro de 1967, por meio do pastor Levino Barbosa, também daquela cidade. A ação pastoral veio em seguida com o desígnio para Campo Alegre, no ano de 1965.
JORNADA
A primeira congregação sob os cuidados dele só tinha duas irmãs crentes e o templo ainda não havia sido construído. Para iniciar a obra, precisou alugar um salão onde celebrava os cultos. Os primeiros convertidos foram surgindo e a construção do templo foi necessária. O trabalho evangelístico foi constante na localidade e muitas vidas se renderam aos pés de Cristo.
Certo dia teve a revelação de qual seria a chamada de Deus em sua vida. A visão detalhava um ambiente diferente, talvez em outra parte do mundo, em que o pastor pregava o evangelho para pessoas com o idioma diferente do português. O local parecia uma feira, conforme Daniel Cavalcante, filho de Claudionor.
A revelação viria a ser confirmada algum tempo após, com a conversa dele com o pastor Juvenal Pedro, então presidente da Assembléia de Deus em Alagoas. O ministro convocou a presença do obreiro no Culto de Santa Ceia para tratar de assuntos importantes. O chamamento causou expectativa em Claudionor. A conversa tinha a finalidade de perguntar se ele tinha interesse e chamado para ser enviado como missionário para a Bolívia.
A necessidade era grande e o ministério estava orando a algum tempo no propósito de Deus levantar um pastor missionário. O diálogo com o pastor Juvenal ficou restrito aos dois até que no outro mês os detalhes foram acertados para a viagem. Foi somente neste dia que a família de Claudionor Tenório soube que tinha uma missão a cumprir em outro país. A resistência foi grande.
Quitéria Alves conta que não tinha interesse em deixar a família e seguir viagem, por isso decidiu orar. Numa das vigílias, ela foi batizada pelo Espírito Santo. A confirmação para cumprir o chamado missionário veio apenas quando Deus se revelou para ela em sonho. A revelação mostrava a esposa do pastor em um país onde não conhecia o idioma oficial. “A partir deste sonho, não tive mais dúvidas de que Deus estava no negócio”, disse Quitéria, comentando que a família também preferiu aceitar a vontade do Senhor.
Em pouco tempo, os trâmites para a viagem foram providenciados. Juvenal Pedro o consagrou pastor no dia 01 de janeiro de 1970. Quatro dias depois, a família embarcava para a Bolívia. As dificuldades foram inúmeras. Falta de alimentação e de moradia foram alguns dos problemas enfrentados logo quando chegaram à nação.
A hospedagem no primeiro mês foi providenciada pelo pastor Joel (RJ) – era ele quem recebia os missionários de outros países em Santa Cruz de la Sierra. Após um mês na casa do ministro, conseguiram alugar uma moradia recém-construída, porém não tinham como mobiliá-lo. Para dormir, forravam uns jornais no piso e com as roupas faziam o dormitório.
A alimentação foi providenciada por Deus, por meio da enfermeira conhecida por Delícia. A profissional passava todos os dias na residência do pastor e deixava um pouco de dinheiro para comprar comida. “Muitas vezes quando ela chegava, não tínhamos nada para comer”, relata a esposa do pastor. Ela explica que o dinheiro ficava bloqueado no Brasil por conta de barreiras alfandegárias.
Quando se instalou, foi designado pela convenção boliviana dos missionários para assumir o distrito industrial de Bélgica. Nesta localidade, nenhuma pessoa havia sido evangelizada até aquele momento. No entanto, com o bom empenho do pastor e da família dele vidas foram alcançadas e até hoje é um dos campos prósperos da Bolívia.
Após três meses na Bélgica chegou a Oruro. O local já tinha alguns crentes, mas ficava a quase quatro mil metros de altitude. Os problemas de saúde prejudicaram, mas não impediu que o trabalho fosse executado. O pastor Juvenal Pedro e outros obreiros chegaram a visitar o trabalho neste município. Por fim, chegou ao município de Trinidad, onde permaneceu por quatro anos. Construiu templos e viu muitas almas se convertendo a Cristo.
Retornou para o Brasil em 1974, passou três meses congregando na igreja-sede, no Farol, onde atuou como superintendente da Escola Dominical. Passou a dirigir a congregação em Palmeira dos Índios e ficou por lá durante dois anos. Retornou para o exterior, no dia 21 de janeiro de 1976. O país agora era o Equador, onde trabalhou até 1982.
Nesta nação, o trabalho foi iniciado com a conversão de um vigia usuário de drogas. Ele convidou o primo, que trouxe outros parentes. Um deles é o pastor Carlos Burgos, que hoje está no Peru. A filha dele, Dileã casou-se com um dos primeiros crentes, e até hoje dão continuidade ao trabalho iniciado pelo pai na cidade de Machala.
Quando voltou para o Brasil, ainda dirigiu as congregações em União dos Palmares, Palmeira dos Índios (retornou), Propriá e Estância (Sergipe), Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos e Rio Largo.
Em São Miguel sentiu os primeiros sintomas da doença que o feriu gravemente. Um vírus chegou silencioso, mas mortal. Durante três anos sentia fortes dores na região do abdômen, procurou vários especialistas e apenas um cardiologista detectou a enfermidade. Os cuidados foram providenciados, mas algumas complicações internas fizeram com que o pastor-missionário não resistisse e morresse no dia 8 de janeiro de 1995.
LIÇÕES
“O compromisso dele com a obra de Deus chama a atenção. Pai zeloso, cuidadoso com os filhos, que não tinha por precioso o seu bem-estar foram as principais lições que ele deixou para mim. Hoje sou crente pelo que aprendi dos ensinamentos dele”, pontua Daniel Cavalcante.
quero noticias de Mirta Soares,talvez seja membro desta igreja em Trinidad-Bolivia,na epoca do miss.Jeremias Cordovil, foi aluna do seminario em Belem-Pa., me informe algo sobre esta moca. Minha esposa e amiga dela, ela retornou a Bolivia e perdemos o contato.Nos dê qualquer informacäo. Fique na paz.
Um homem simples e dedicado na obra, sempre que vinha do campo missionário passava alguns dias com meu pai e toda minha familia.Gostava de ouvi-lo contar as experiencias do campo missionário e cantar os corinhos na linguagem nativa do país que trabalhava como missionário.
conheci este homen de DEUS simplicidade e alegria não li faltava meu apresso a familia
O Ev. Claudionor Tenório, foi um grande homem que tive prazer em conhecer, estive duas vezes com o coral harmonia celeste do Pinheiro, ladeado pelo maestro hoje Ev. Augusto Nicacio na cidade de estância Sergipe, onde lembro-me da sua palavra amiga e alegre para os irmãos naqueles dias, quando veio a maceio dirigir o campo em Rio Largo, sempre mim encontrei com ele pois trabalhava com seu filho na eletro silva , irmão Daniel Tenório, sempre mim perguntei porque seu nome nunca era lembrado como missionário que abriu campo na bolivia e Equador, visto que o mesmo foi enviado pela igreja local, e esses campos não são nem mencionados, pois os mesmo tem semente do evangelho de alagoas, mas graças a Deus que este espaço apareceu para mostrar os grandes homem que fizeram parte das Assembleia de Deus em Alagoas. que Deus abençõe aqueles que estão buscando resgatar memorias esquecidas.
Um grande servo de Deus! Como verdadeiro cristão, era um homem humilde e muito atencioso. Lembro-me das vezes em que nos visitou quando meu pai era pastor da Igreja em Colônia Leopoldina. O pastor Claudionor gostava de cantar corinhos em espanhol e eu o acompanhava tocando acordeon. O Jornal Novas de Esperança mais uma vez acertou, não deixando no esquecimento homens que tanto contribuíram para disseminar a palavra de Deus. Parabéns!
