
A agricultura era a única fonte de renda de um casal típico do Nordeste. Manoel Siqueira Cavalcante e Olindina Tavares dos Santos tiveram vários filhos, mas um deles precisa ter a história relembrada, já que viveu apenas 50 anos. A trilha parece ter sido pequena, todavia as entrelinhas revelam o quanto a obra de Deus precisa de um cuidado especial e quem sabe até de uma doação acima do comum, que pode custar, inclusive, a vida.
Francisco Tavares Cavalcante nasceu para ser crente, embora não tenha conhecido Jesus na infância. A afirmação se deve ao menino tímido, obediente aos pais e seguidor da religião da mãe. O dia 27 de janeiro de 1958 foi alegre para o senhor Manoel e para a dona Olindina. Chegava ao mundo o caçula da família e que seria um valoroso e destemido servo de Deus.
Os habitantes do município de Boca da Mata, onde Francisco Tavares nasceu, viu pouco tempo a trajetória dele. Ainda muito pequeno, foi morar em Anadia, cidade onde passou três fases da sua vida: criança, adolescência e parte da juventude.
Olindina ensinava aos filhos a experiência religiosa que herdou dos pais. Assídua nas reuniões católicas, a agricultora passava para a posteridade as obrigações diárias que deveriam ser cumpridas na íntegra. O pedido da mãe era seguido à risca principalmente por Francisco Tavares, que fazia as orações noturnas diariamente sempre na companhia da genitora.
Estudioso, ele não hesitava em querer aprender. Os pais, no entanto, não permitiram que ele estudasse fora do sítio onde eles moravam por conta do medo que os intimidava. Para driblar a ociosidade, aprendeu a cuidar dos animais do rancho e a cultivar hortifrutigranjeiros.
Um determinado dia, o pai solicitou que o garoto, que tinha aproximadamente nove anos de idade, trouxesse sozinho – em dois burros – carga de condimento presa aos eqüinos. Um deles ficou nervoso e correu, para desespero do menino. Por ser muito cuidadoso com as tarefas domésticas, este incidente o deixou bastante angustiado. O pai, mesmo sendo rígido com os filhos, não tomou nenhuma atitude para castigá-lo.
CONVERSÃO
Mesmo a contragosto dos pais, decidiu se converter a Cristo aos 14 anos de idade. Ele e o irmão, o missionário Pedro Tavares, que hoje faz missões em São Tomé e Príncipe, foram os primeiros a tomar a atitude dentro de casa. A conversão dos dois aconteceu em Anadia.
Os primeiros passos na fé de Francisco Tavares foram de extrema perseverança. Os costumes dos irmãos mais antigos não permitiam a presença de novos convertidos nos Cultos de Doutrina. Porém, ele fazia questão de ficar do lado de fora escutando os ensinamentos. Ainda nesta fase, falou com o pastor dele para distribuir folhetos em todas as residências da cidade. E assim o fez. Além de evangelizar, fazia questão de contar o seu testemunho para os não-evangélicos.
CASAMENTO
Na juventude, ele conheceu Givane Mendes Cavalcante, a futura esposa. Ela residia em Satuba e tinha apenas 16 anos quando aceitou Jesus como Salvador. O rapaz interessado nela era músico e também tinha certas habilidades com a divisão de vozes e por isso foi convidado a reger os coristas neste município, para onde foi morar em seguida. Nesta época, o pastor José Miguel cuidava do rebanho.
Jesus foi fazendo uma obra rápida na vida da moça, que aos três meses de convertida recebeu o batismo pelo Espírito Santo. A evolução espiritual da jovem foi contagiando Francisco Tavares. O pedido de namoro aconteceu logo e o desejo dela em cantar no coral cuja maestria era dele também. A resposta veio uma semana depois e os dois apaixonados já estavam namorando.
O casamento, no entanto, foi concretizado no dia 19 de dezembro de 1981, com dois anos e nove meses de relacionamento. A cerimônia foi realizada em Satuba. Três filhas chegaram como resultado da união: Ester, Dileã e Adna. As três ainda são jovens, mas chegaram a acompanhar o pai em todas as etapas ministeriais dele.
OBRA
Francisco Tavares tinha um grande desejo de ser porteiro, embora nunca tenha exercido esta função dentro da igreja. Ele ouviu vários depoimentos de auxiliares relatando situações em que o agir de Deus foi evidente. O diaconato para ele chegou em 1984, na gestão do pastor Darcírio Magalhães, que até hoje é líder da Assembléia de Deus em Satuba.
Como gostava muito de estudar a Bíblia, foi logo convidado a ser o superintendente da Escola Bíblica Dominical. A música também lhe proporcionou ser maestro dos corais de Rio Largo, Rio Novo, Fernão Velho, Santa Luzia do Norte, além de Satuba. Na EBD, fez uma verdadeira reformulação na metodologia de ensino. Criou as classes direcionadas à educação infantil e montou uma verdadeira biblioteca para os freqüentadores, que de 34 passaram para 140 alunos em poucos meses.
O trabalho como construtor de obras lhe rendeu um estilo de vida bom. Muito zeloso pelo que fazia, conseguiu logo abrir uma firma tendo o irmão, o atual pastor Benedito Tavares (Passo de Camaragibe), como sócio. Conseguiram empreitar várias obras, inclusive de prefeituras, sempre com a parceria das construtoras de Alagoas. No entanto, teve a visão de Deus que seria pastor de ovelhas.
A revelação começou a se cumprir em 1987 quando foi consagrado ao presbitério. Cansado de morar em Satuba, decidiu alugar a casa onde morava, em 1991, e foi ajudar o irmão no município de Belém. Nesta localidade cooperou muito com a causa do Senhor e ficou muito bem quisto entre os membros. O zelo pela obra era uma das virtudes dele, que fazia de tudo para ver o templo limpo.
Quando deixou a congregação, após um ano e quatro meses, foi incentivado a retornar ao campo, mas decidiu não continuar. Porém, a vontade de Deus o levou novamente a Belém. Foi então que reformou o templo e fez um belo trabalho evangelístico, conquistando muitas almas para o reino de Deus. Com seis meses que cuidou a rebanho, veio morar em Maceió e congregou durante quatro meses no Tabuleiro do Martins, onde foi professor, inclusive, dos integrantes do Grupo Alfa.
Foi morar em Pilar, posteriormente, por conta de uma obra de construção. Cooperou com o ministério daquele campo por um ano e três meses. O líder, pastor Higino, sugeriu, com o consentimento do ministério, para Francisco Tavares ficar como dirigente da cidade enquanto ele ficaria na Chã do Pilar.
O trabalho frutificou e muitas almas foram conquistadas para Cristo. Para a realização de uma determinada festividade de jovens, a igreja foi mobilizada para um dia inteiro de jejum, culminando em dezenas de batizados pelo Espírito Santo. Aquele dia ficou marcado para sempre na mente das autoridades presentes, a exemplo do prefeito da cidade e de vários vereadores.
Logo depois, em 1995, retornou para Satuba e retomou todos os trabalhos que exercia. Foi então que o pastor José Antônio dos Santos ofereceu três campos para ele cuidar: Pariconha, Olho D’Água Grande e Carneiros. O destino foi Olho D’Água Grande, que abrangia também o povoado de São Braz, situado a 18 km – de estrada de barro – do município. A assistência era dada a estas duas localidades.
A cidade só tinha oito crentes, mas o bom trabalho evangelístico rendeu muitas vidas em apenas 10 meses. Em São Braz, como não tinha um pastor, os crentes viviam meio perdidos, mas com o crescimento em Olho D’Água Grande se fez necessário um obreiro para cuidar do povoado. Neste local, Francisco Tavares passou quatro anos.
MORTE
Em Estrela de Alagoas, no final de 1999, o pastor – ele já era evangelista – Francisco Tavares deu os seus últimos passos na terra. Quando assumiu encontrou os irmãos uma pouco revoltados por alguns acontecimentos escandalosos, mas não desanimou e seguiu em frente. Conseguiu ganhar a confiança e o amor de todos na cidade. Em apenas 11 meses derrubou o templo para reerguê-lo.
E foi nesta obra que o trágico aconteceu. As paredes já haviam sido levantadas e o pastor teve uma brilhante idéia para contemplar aos porteiros, os admirados por ele. Decidiu construir uma marquise (laje destinada à proteção contra o sol e a chuva). A intenção dele lhe custou a vida.
Um dia antes do fato – um domingo à tarde – esteve na obra e vistoriou com outros irmãos. No dia 27 de novembro de 2000 foi sozinho ao local e resolveu desmontar o suporte que segurava a laje. Testemunhas garantiam que a marquise ainda não estaria solidificada, conseqüentemente não estaria segura. Resultado, a estrutura desabou em cima dele, que teve morte instantânea. O ajudante da obra não estava no local quando aconteceu o acidente.
Na segunda-feira da tragédia escreveu um trecho do livro “Tabernáculo Analizado”, de autoria dele. O estudo se baseava em detalhes da construção descrita nas Sagradas Escrituras. A esposa decidiu que irá lançar o livro e estará concluindo os dois últimos capítulos.
A morte do pastor comoveu a pequena Estrela de Alagoas. Ninguém poderia imaginar algo tão repentino e logo com o anjo da igreja que tinha uma vasta experiência em construções.
O carisma, a timidez, o zelo pela obra, o amor incondicional pelo serviço do Mestre Jesus ficaram na memória de quem conheceu o pastor Francisco Tavares. “Meu marido era um grande homem de Deus, um verdadeiro discipulador. Amante dos estudos bíblicos, sempre fez questão de incentivar a igreja a aprender mais e mais de Cristo”, sintetizou Givane Cavalcante.
Eu me chamo João Américo! Sou fruto do trabalho realizado pelo Pb. Francisco na cidade de São Brás. Sou muito agradecido a Deus pelo trabalho realizado pelo Pb. Francisco e sua familia, eu era um jovem totalmente rejeitado pela sociedade da minha época, era um caso perdido para "muitos", envolvido no mais baixo escalão que o mundo tem á oferecer, viví uma vida totalmente sem esperança, sem pespectiva, mais graças a Deus fui alcançado pela mensagem do evangelho, pregada por este simples servo do Senhor Jesus, e sua ilustre familia; este servo de Cristo mostrou-me que havia uma luz no fim do túnel, e essa luz é Cristo Jesus. Seu exemplo de fé e renuncia a favor de vidas como a minha, me inspira á seguir seus passos de fidelidade e de amor pelo reino de Deus; para honra e glória do Senhor Jesus Cristo, de um forte candidato ao crime, hoje sou seminarista, e um candidato ao pastorado, pela Igreja Batista em São Paulo; graças á Deus e ao Senhor Jesus Cristo! Que o exemplo deste servo de Deus juntamente com sua familia, possa servir de inspiração para sua vida e seu ministério em favor de pessoas como eu que estava destinado á morte e condenação eterna. Em Cristo Jesus, João Américo da Silva Jr. Filho espíritual de Francisco e Givane e irmão espíritual de Dilean, Esther e Adna.
O QUE DIZER DESSE HOMEM DE DEUS?
POUCOS MESES PASSOU EM ESTRELA, MAIS O SUFICIENTE PARA NOS ENSINAR, QUE DEVEMOS AMAR E RESPEITAR A DEUS PRIMEIRAMENTE E A TODOS........
SEI QUE UM DIA IREMOS NOS ENCONTRAR NO CEÚ E SERÁ GLORIOSO...........
A MORTE APENAS SEPAROU OS CORPOS, MAS O SENTIMENTO FICARÁ PRA SEMPRE.........
SEUS ENSINAMENTOS SEMPRE SERÃO LEMBRANDOS.........GENICLECY ESTRELA DE ALAGOAS.
EU ME ORGULHOMUITO DE DIZER QUE SOU SUA FILHA!!!
ELE FOI MEU PAI, PROFESSOR,AMIGO,CONSELHEIRO...
DEIXOU MUITA SAUDADE!!
MAIS TENHO CERTEZA DE ENCONTRA-LO UM DIA LÁ CÉU!!!
Como admirava a personalidade desse homem de Deus! Sua timidez se contrasta com o conhecimento hermenêutico q o mesmo possuía!
Nunca esqueço seus estudos bíblicos! O último que pude aprender bastante, estava baseado nesse versículo: "E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira" (Rm 11:17)
Um grande homem de Deus a Assembléia de Deus em Alagoas perdeu, mas ele foi recebido lá em cima, como um grande cidadão do céu!
