
O sobrinho de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, um dos maiores dicionaristas do Brasil, também era de Alagoas e congregava na Assembléia de Deus no Farol, na Avenida Moreira e Silva, onde fica o templo-sede. O evangelista José Aurélio de Moraes Ferreira é o próximo personagem biográfico do portal AD Alagoas.
Ele nasceu no dia 12 de outubro de 1936, em Maceió, mais precisamente no bairro de Ponta Grossa. A casa onde residiam Antônio Buarque Cavalcante Ferreira e Nair Lins de Moraes Ferreira, pais dele, foi demolida e no terreno foi erguido o templo da Assembléia de Deus, que serve para a reunião dos cristãos até hoje.
Poucos fatos da infância de José Aurélio foram lembrados pela família dele. Há recordações simplórias deste período como alguns traços da personalidade dele que não foram modificados até os dias contemporâneos. De acordo com os parentes, ele era bastante levado e animado, sempre brincalhão com os que o rodeavam.
José Aurélio teve nove irmãos, mas apenas dois conseguiram sobreviver. As condições da família e problemas de saúde dos recém-nascidos motivaram as mortes. Ele era o filho do meio e sustentou um bom relacionamento com o irmão, Manoel Ermelindo.
Crescido sob os cuidados e preceitos bíblicos, o garoto aprendeu desde cedo a estar dentro da igreja adorando a Deus com a família. As lembranças da família giram em torno da vida movimentada de José Aurélio. O pai dele era pastor do campo e como qualquer outro ministro do Evangelho passava períodos em determinados municípios.
Sempre foi muito organizado e, por isso, conseguiu logo trabalhar. A Gazeta de Alagoas e um armazém em Maceió foram alguns dos empregos dele.
Na adolescência, quando morava na cidade metropolitana de Rio Largo, costumava ter dias inteiros de lazer no rio Mundaú. A diversão era completa com os amigos, mas lhe custou um preço alto. Pelos inúmeros banhos que tomou, contraiu Schistosoma, uma parasitose grave responsável pela esquistossomose, mais conhecida por barriga d’água.
O tratamento foi bem complicado e as crises eram constantes. Ele tinha, à época, 16 anos de idade. Nesta fase, ele estudava à noite e trabalhava em tempo integral. O medicamento receitado por um profissional não foi bem aproveitado no organismo já debilitado dele. Por conta disso, o médico o proibiu de estudar.
Depois de uma batalha contra o parasita, o jovem reestabeleceu a saúde e conheceu a mulher da vida dele. Alda Moreira de Moraes Ferreira morava em Maceió enquanto José Aurélio residia em Penedo, mas trabalhava na capital. O tio dele havia lhe oferecido um emprego no Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Lá ele começou como office-boy e se aposentou, em 1988, na função de caixa executivo.
O relacionamento do casal foi bem diferente dos padrões atuais, conforme a própria esposa relata. Ela conta que o pretendente vivia mais em Maceió, porém passava semanas sem vê-la. “Eu o aguardei até o pedido de casamento”, disse Alda Ferreira. Ela tinha 17 anos quando o conheceu e apenas a sua mãe era cristã. O pai ainda resistiu à união.
A cerimômia do casamento aconteceu no dia 28 de janeiro de 1958, em Maceió. A celebração foi feita pelo pastor José Gomes na casa dos pais do noivo. O casal foi morar nas proximidades do Hospital dos Usineiros, no bairro do Farol. Vieram seis filhos: Ester, Antônio (falecido), José Aurélio Júnior, Raquel (falecida), Maria Luíza e Kézia, dos quais nasceram nove netos.
Na obra do Senhor, serviu como auxiliar, diácono (foi consagrado assim que casou), presbítero e evangelista. Oficialmente não foi designado para um campo, no entanto, sempre trabalhou no serviço do Mestre. A ocupação secular serviu de base para cuidar, durante anos, das finanças da Assembléia de Deus em Alagoas. Conforme a família, nenhum fato aconteceu que viesse desaprovar o trabalho exercido por ele.
Como também sempre gostou de ajudar o mais próximo, assumiu o campo da assistência social da igreja. O ofício consistia em visitar, colaborar e levantar auxílio financeiro para os membros mais carentes.
O campo evangelístico não foi esquecido por José Aurélio. Ele sempre arrumava um tempo para estar em uma obra de concentração, pregando o Evangelho. No Mercado da Produção, no centro de Maceió, funcionava um ponto de pregação e lá estava o ministro, costumeiramente, entregando uma palavra da parte de Deus aos ímpios.
A relação dele com o tio, o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, era amigável. O autodidata nasceu em Passo de Camaragibe, em 1910, mas a família se mudou para a capital em 1923. Foi morar no Rio de Janeiro quinze anos após. Quando visitava a terra-natal dava sempre uma ‘passadinha’ na casa dos familiares.
“Ele era uma pessoa muito simples e se dava muito bem com o meu esposo”, disse Alda Ferreira, explicando que todas as dúvidas em Língua Portuguesa eram tiradas com o dicionarista. “Aurélio Buarque corrigia também os nossos textos”, revela.
MORTE
O que parecia tranquilo virou pesadelo para a família. A doença que atacara José Aurélio Ferreira em sua adolescência voltou com toda força. Foram nove meses de batalha e de muitas crises. Ele chegou a se internar várias vezes para retirar líquido da região do abdome. As dores eram fortíssimas e a idade não mais ajudava na recuperação.
Até os 65 anos de idade, nenhum sinal da esquistossomose incomodava o evangelista, mas um dia as crises retornaram com uma intensidade maior, quase insuportável. Mesmo debilitado com o retorno da doença, ele sempre fazia questão de conservar o bom-humor e de excluir as murmurações.
Em 24 de abril de 2003, na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, ele veio a falecer. A família entendeu que o propósito de Deus era este e se conformou. “Aprendi muito com ele, sempre deu exemplo de um bom servo de Deus e de excelente amigo, não somente da família, mas de todos”, descreve a viúva.
Apesar do falecimento, a figura simpática do evangelista José Aurélio Ferreira permanece viva na mente dos obreiros de Alagoas e do povo de Deus em geral. A colaboração sem medidas dele para a obra de Deus era algo singular.
O pastor Aurélio foi o celebrante do nosso casamento no templo da Nova Cohab em 28/10/2000. Deus foi gracioso conosco em permitir que este grande homem ficasse registrado numa data especial para nós. Amém!
Inaldo e Lilia.
Assembléia de Deus em Nova Cohab
Só hoje (28-12-09), aleatoriamente, soube do falecimento de meu primo, José Aurélio. Pouco me lembro dele e de seu irmão, mas de ambos e, principalmente, de Tio Antônio, com seu eterno sorriso e brincadeiras, as recordações que me ficaram são todas agradáveis.
Meus pêsames à família.
Abraço e saudações,
Aurélio
Fiquei muito sentido e comovido ao tomar conhecimento da morte do nosso saudoso Pr. José Aurélio. Estou em Goiás há mais de 6 anos, apenas hoje soube do ocorrido. O único momento de contato que eu tive com o Pr. José Aurélio foi no dia do meu batismo nas águas no dia 31 de dezembro do ano 2000. Pois foi ele que lançou-me no águas no momento em que eu fazia um compromisso de morrer para o mundo e ressuscitar para Cristo. As palavras deste servo de Deus permanece e permanecerá para sempre em minha memória. Não há dúvida de que o nosso divino e bondoso Criador reservou para o Pr. Aurélio, um bom descanço na celestial morada. Que abençoe a todos.
Foi muito bom de ter tido o privilegio de conhecer nosso amado e saudoso Pr.ZEZÉ, como era carinhosamente conhecido. Grande homem de Deus, de um caractér exemplar, para todos nós, faz muita falta sua alagria, seus pulos no pulbito, seus ensinamentos, eu tinha o Pr. como um TIO, estou feliz de ter esta oportunidade de expressar meu carinho e minha eterna grande admiração pelo PASTOR ZEZÉ.
Tivemos o imenso privilegio de conhecer este abnegado servo de Deus, um homen de uma grande simplicidade...E acima de tudo Temente a Deus, um exenplo a ser seguido.
Grande homem de Deus,sempre admirei sua coragem e dedicação, estava sempre prestanto assistencia aos necessitados, um grande pregador do evangelho. Ir Zezé prá mim era como um tio muito querido,suas filhas são minhas primas/amigas desde da infancia, sempre conviví com eles desde minha infancia, meus pais tinha uma amizade muito forte com toda familia, meu pai e ele eram como irmãos.Acompanhei toda tragetória de sua doença, ele sempre otimista, mesmo debilitado. Restano-nos o exemplo de homem sincero e temente a Deus...
O intelectual, um homem de uma cultura invejável, de um caráter exemplar, de um conhecimento bíblico profundo, de uma respeitabilidade na sociedade alagoana que nos deixava orgulhosos de sua conduta, ainda assim era um homem simples, de fino trato, sabia diante de problemas complexos apresentar soluções simples, foi desta forma que ao longo de sua vida pública e ministerial atraiu para si o carinho e o respeito da sociedade e do público evangélico. Perdemos o convívio porque para sí o tomou o Senhor, e faço minhas as palavras descritas no livro de Mateus - servo bom e fiel - mais ficaram suas idéias que balisam o caminhar de muitos que estão no inicio de sua vida ministerial e encerro minha simples homenagem voltando a citar o livro de Mateus - ja que sobre o pouco foste fiel entra no gozo de teu Senhor. Perde a intelectualidade um sábio, ganha os céus um servo.
Um exemplo de homen para a sociedade, e muito mais para os pastores de hoje, este homen e seu pai pastor Antonio Buarque significou muito na vida de meu pai pastor José Morais Alves,parabens a todos deste jornal um abraço forte a familia
Obrigada pela homenagem. O meu pai, José Aurélio, deixou exemplo de homem fiel a Deus. Sempre bem humorado, carinhoso e educado. Transmitiu muita paz e segurança nos valores que foram deixados, melhor, legados para mim e para os meus irmãos. Agradeço a todos aqueles que estão manifestando a sua admiração.
Agradecemos pela homenagem ao nosso querido e inesquecível José Aurélio. Somos privilegiados por te-lo como esposo, pai e avô. Ele foi exemplo de carinho, amor, alegria e nos ensinou acolher as pessoas em nossa casa, dizia: "recebam a todos muito bem, pois, podemos está recebendo anjos". Aprendemos o valor de um sorriso, o cuidado com o próximo ,dentre muitas coisas que poderíamos enumerar e até esquecer. Mas, o maior exemplo que nos deixou foi o de ser fiel a Deus. Foi um servo honesto e temente a Deus, deixou marcas profundas e belíssimas que não serão esquecidas. Estamos tentando seguir o exemplo deste homem que serviu com muita dedicação e sabedoria os caminhos do Senhor Jesus. Obrigada pelas manifestações de carinho já recebidas e as que porventura serão ainda mencionadas.
Notifico o meu apreço e admiração pelos relevantes esforços que o Jornal Novas de Esperança tem em trazer a nossa memória a lembranças dos grandes homens de Deus que o nosso Estado teve.
Tive o prazer de conhecer o Pr. José Aurélio. A sua simplicidade, cordialidade e simpátia eram elementos que o caracterizava com um bom orador. Não esqueço de suas palavras iniciais a sua fala: "Saúdo os irmãos com a paz do Senhor" - isso de forma lenta, suave e agrdável, o que lhe era peculiar.
Minha admiração a família!
Conlheci este servo e amigo,sempre de bom humor e muito cimples, em breve nos encontraremos na gloria.Parabens ao jornal por lemprar de mais um bom homem.meu apresso a familia.
