
Os habitantes da pacata cidade de Viçosa, interior de Alagoas, nem imaginavam que dentre os nascimentos surgiria uma das grandes lembranças do ministério da Assembléia de Deus no Estado, o pastor Mário Crescente da Rocha. Filho de Antônio Crescente da Rocha e de Maria Crescente da Rocha, pessoas do campo, ele nasceu no dia 10 de janeiro de 1924.
Quando criança, o pai dele resolveu deixar a terra natal e seguir rumo ao desconhecido. Montou a família em uma carroça e tomaram destino inesperado. O sul de Alagoas parecia uma trilha, mas em Penedo, na divisa com Sergipe, a população fugia para outros municípios por conta de uma doença misteriosa que já havia matado algumas pessoas. Com receio, a família retornou o percurso.
Na cidade de Pilar, Antônio Crescente sugeriu fixar residência. Passaram ali algum tempo e regressaram para Viçosa, onde retomaram a vida no campo. Anos depois, já na fase da adolescência, Mário Crescente conseguiu emprego na construção de estradas e permaneceu neste ofício por muito tempo.
Quando completou 26 anos, exatamente no dia 4 de junho de 1950, reconheceu Jesus Cristo com o Senhor e o Salvador da vida dele. A conversão aconteceu no município de Junqueiro, também região interiorana de Alagoas. Com um mês da decisão, no dia 11 de julho daquele ano, foi agraciado com o batismo pelo Espírito Santo.
A imersão às águas foi marcada para o dia 17 de dezembro de 1950. Mário Crescente preferiu ser batizado na cidade onde nasceu, em Viçosa, pelo pastor José Santana, de saudosa memória.
Com os pensamentos e as atitudes regeneradas pelo Senhor, ele começou flertar a jovem Maria Cassiano da Rocha, com a qual chegaria a se casar no dia 24 de abril de 1954. A família recorda que o período entre o namoro e o casamento foi curto. O pai da moça, o então presbítero com ação pastoral Manoel Levino (in memorian), conhecia a boa conduta do pretendente da filha e não fez objeção ao matrimônio.
A união trouxe várias alegrias e as principais foram os filhos: Jesiael, Jediael, Jasiel, Gedida, Geza, Gerson, Janete, Joab, Josias e Joás. Até agora são 10 netos. Gerson, conforme revelou um dos filhos, morreu antes com um ano de idade. Outros dois não chegaram a nascer.
Quando nasceu o primogênito, Mário Crescente foi morar em Santos (SP) para trabalhar no porto. Ele foi primeiro e depois a família embarcou em um navio popular. A estada em São Paulo durou apenas um ano. O retorno ao Estado de Alagoas foi antecipado por conta da falta de adaptação da esposa, que ficou bastante doente.
A primeira residência da família, na Rua Dr. Osvaldo Cruz, 608, na Chã de Bebedouro, foi escolhida como ponto de pregação, onde semanalmente aconteciam cultos. Foi nesta época que Mário Crescente começou a se dedicar na obra do Senhor. A consagração ao diaconato aconteceu no dia 30 de agosto de 1961.
A boa conduta lhe rendeu grandes responsabilidades logo cedo. Em março de 1962, o então pastor-presidente da Assembléia de Deus em Alagoas, Antônio Rêgo Barros, o autorizou a assumir o primeiro campo, no município de Coruripe. No dia 30 de agosto daquele ano foi aclamado evangelista. Quando chegou à cidade, o templo ainda não havia sido erguido, obrigando os irmãos a se reunirem na casa do pastor, na Rua da Vassoura.
Coruripe era ‘mergulhada’ na religiosidade e os crentes quando iniciaram os trabalhos evangelísticos na cidade sofreram duras perseguições. Numa ocasião, uma ameaça na porta do pastor levou ao aborto de um dos filhos dele.
Jesiael Cassiano da Rocha, filho do pastor Mário Crescente, conta que o culto havia encerrado e a família se preparava para dormir quando homens a cavalo gritavam no portão para tomar satisfação. O susto foi tão grande que Maria Cassiano passou mal e terminou abortando o filho, para desespero dos parentes.
Em outro momento, no batismo de alguns novos convertidos, pescadores e populares circulavam os irmãos com canoas e iniciavam uma série de vaias. O pastor orientava aos obreiros a ignorarem a tentativa de intimidação.
Ainda em Coruripe, os familiares recordam Mário Crescente andava a pé quase seis léguas para dirigir cultos em um povoado distante do centro da cidade. No retorno, ficava conversando com os membros da igreja até mais tarde para evitar que o vissem atravessando o rio a nado e com bermudas.
Após quatro anos naquele município, foi designado para pastorear Matriz do Camaragibe. Antes de sair comprou terreno e construiu o alicerce para o templo-sede de Coruripe. Em Matriz, que incluía Passo de Camaragibe, ficou de 5 de abril de 1966 a 1971. Foi lá que ele incentivou os filhos a investirem na carreira musical e a estudarem.
O pastor José Antônio dos Santos, na época dirigente do campo em Jacuípe, era um dos grandes amigos de Mário Crescente. Sempre que era necessário havia o convite para Zé Neco pregar a Palavra de Deus no culto em Matriz. Para chegar ao local, o atual presidente da Assembléia de Deus no Estado utilizada a Lambreta, veículo popular naquela década.
Em Matriz, costumeiramente, homens armados ameaçavam a realização dos cultos nas ruas. Em um deles, um deficiente mental mirou uma espingarda em direção ao pastor, o filho correu com medo, mas, por livramento de Deus, ninguém foi ferido.
No dia 27 de junho de 1971 tomou posse em Colônia Leopoldina, com abrangência também em Ibateguara e Novo Lino. Um ano depois (1º de setembro de 1972) foi consagrado a pastor, pelo presidente Manoel Pereira Lima. Já em 7 de janeiro de 1979, Mário Crescente assumiu o campo de Flexeiras, onde permaneceu até 12 de março de 1985, quando foi convocado a se mudar para Paripueira, último campo do pastor.
PARTIDA
Hipertenso desde jovem, Mário Crescente sempre foi cuidadoso com a saúde e seguia à risca o que os médicos orientavam. Aos 63 anos de idade, descobriu o diabetes, mesmo assim não se preocupou e permaneceu fazendo a dieta correta.
Quando completou 70 anos os problemas foram surgindo em decorrência da alta taxa de glicose e da pressão elevada. Com 71 anos teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ou derrame, sem grandes complicações. O diabetes insistia em prejudicar a visão do pastor, que já não mais conseguia ler a Bíblia com freqüência. O filho, Jesiael, conta que entendia a tristeza do pai em não mais poder estudar a Palavra de Deus. Para alegria de Mário Crescente, uma fotocópia ampliada garantiu a leitura por um bom tempo.
Debilitado, insistia em ser caridoso com as pessoas. Um dia antes de ter um novo derrame, celebrou um casamento, mesmo com o atraso da noiva. “Não posso ir embora, seria uma afronta aos noivos”, disse o pastor a um dos filhos que pediu para ele ir embora por conta do atraso.
Em fevereiro de 2000, teve um novo AVC, e, durante treze dias, ficou em coma profundo na UTI do Hospital dos Usineiros. O filho dele, Jediael Rocha, que já era pastor em São Paulo, ouviu a voz de Deus que acenava para a partida do pai, que aconteceu no dia 4 de março daquele ano, vítima de falência múltipla dos órgãos. A família fazia em casa o culto doméstico e entoava o Hino 433, da Harpa Cristã, quando souberam a informação. A esposa do pastor Mário Crescente faleceu no dia 5 de julho de 2005.
“Meu pai era superpontual desde criança, discreto, fiel nos dízimos e nas ofertas, prova disso é que quando vim falar com o pastor-presidente para agradecê-lo, após a morte, ele revelou que o meu pai pagava todas as contas em dia. Além disso, era muito leal com os amigos, trabalhador, justo e, acima de tudo, um homem de oração”, confirma Jesiael Rocha.
Assim que o pai morreu, Jediael escreveu uma espécie de síntese da vida do pastor. Neste documento, ele conta alguns momentos de Mário Crescente no âmbito espiritual e escreveu de forma poética em homenagem ao seu grande admirador.
“Atendendo ao convite do Divino Mestre, o Pr. Mario Crescente da Rocha, após honrar os seus compromissos agendados por Deus, para militar legitimamente na Terra, rompeu vitorioso a fita da chegada e seguiu laureado com os trunfos da vitória à eterna Pátria Celestial para o almejado encontro com o Pai da Eternidade”, relata o filho num dos trechos da biografia.
No mês passado, em 24 de outubro, Jediael Rocha faleceu em Osasco (SP) aos 53 anos, por complicações com o transplante num dos rins. Ele era um homem versado nas Escrituras Sagradas e chegou a gravar várias mensagens bíblicas em CDs. De acordo com a família, era um autodidata.
Eu sou um pouco suspeito em falar do pastor Jediael Rocha, um dos grandes expoentes da palavra de Deus neste país. Tive a oportunidade de ser amigo e de aprender muito com este ilustre servo de Deus.
Suas mensagens impactantes e exegéticas edificaram muito a minha vida no início de meu ministério. Com certeza Jediael é um exemplo a ser seguido.
Posso falar deste pastor com osadia foi meu pastor em flexeiras ao chegar em maceio o mesmo era pastor em paripueira convivir bastante tempo com ele sempre homen exato e direto aprendi ama-lo de coração
um homen de grande conduta um exemplo para os obreiros de hoje
Ele foi meu pastor em paripueira, não desprezando a nenhum que por ali passaram, mais paripueira espera ate hoje um pastor como ele, depois de sua morte a paripueira segui um rumo muito difente do viamos. Um homem de Deus, homem de carater, de vergonha que tinha um maior zelo pela obra de Deus.
O Pastor Mário Crescente da Rocha foi um autêntico servo do Deus Altíssimo. Sua vida de oração e dedicação à causa do Mestre é um bom exemplo a ser seguido. Sou grato a Deus pelo pai que tive. Se hoje prossigo nos Caminhos do Senhor, muito devo às suas orações. Quantas vezes presenciei meu pai orando "horas a fio" nas madrugadas; orando pela família; pela igreja; pelo ministério... Suas orações não ficaram sem resposta. Ganhou muitas almas para Cristo. Hoje, ao ler a biografia do meu pai, bateu-me uma grande saudade, logo agora que estou sentido a dor da separação de meu irmão Pastor Jediael Rocha, que residia em Osasco-SP e foi chamado a estar com Cristo no dia 24 do mês passado (24/10/2008). Enalteço, entretanto, a iniciativa do Jornal Novas de Esperança, pela publicação da biografia dos pastores que tanto dignificaram o Ministério das Assembléias de Deus no Estado de Alagoas.
A calma, a Persistência, a Experiênica, a Idoneidade, a Moral, o caráter estas foram algumas das qualidades inerentes a este valoroso servo de Deus que durante muito tempo militou na obra do Mestre Jesus, tive o prazer de ajuda-lo com a cruzada Cristo é a Resposta quando dirigia a igreja em Paripueira, era prazeiroso conversar com o Pr. Amaro Crescente, fazendo um trocadilho com o seu sobrenome era crescente tambem nas ações ministeriais, gozava de respeito e carinho de seus pares, nos deixou uma grande lacuna mais nos engrandeceu enquanto servo bom e fiel, foi chamado ao gozo eterno pelos bons e grandes serviços prestados ao reino de Deus. OBRIGADO AMADO PASTOR PELA CONDUTA DE HOMEM DE DEUS, NOS DEIXA UMA GRANDE LEGADO.
