
“Caminho certo, só o de Jesus que nos leva à celeste luz. Caminho aquele que foi inaugurado na Cruz do Calvário por meu Jesus”. O corinho era repetido quando ele estava no púlpito, dentro de casa, em conversa com os irmãos da igreja e até antes de morrer. Assim cantava José Lopes Maia, um grande homem de Deus que o portal AD Alagoas faz questão de contar a história.
José Maia nasceu no dia 27 de janeiro de 1918, no antigo povoado Curralinho, zona rural do município de Rio Largo, localidade que foi batizada posteriormente de Messias e que ganhou a independência política e financeira. Filho de José Lopes Maia e de Teodora Lopes Maia, ele cresceu em um sítio naquela região e da infância dele poucas são as recordações dos familiares.
Os parentes contam que José Maia sempre gostou muito de pássaros – criou a muitos em toda sua vida – e de conviver com outros animais. Sempre foi um menino dedicado e que pouco deu trabalho aos pais.
Na juventude, começou a trabalhar como diarista, mais especificamente fazendo a limpeza dos espaços entre as pedras colocados nos pisos. Este ofício foi substituído posteriormente. Ainda nesta fase da vida conseguiu uma vaga no mercado público de Maceió. Foi lá que ele conheceu a futura esposa, a negociante Marina Ferreira.
Com o brilho nos olhos por conta da adolescente que acabara de conhecer, José Maia empolgou-se e logo pediu a moça para namorar. Porém, o jugo desigual os afastava de uma conseqüente união matrimonial. Enquanto a garota nasceu em um lar cristão, o pretendente nem sabia que Jesus havia morrido por ele. Foi então que Marina disse que não poderia namorá-lo por conta das diferenças cristãs.
Como ela era filha do pastor José Ferreira da Silva, mais conhecido como Ferreirinha, um dos fundadores da Assembléia de Deus em São Miguel dos Campos, preferiu ouvir o conselho dos pais e não ceder à paquera. No entanto, o rapaz estava disposto a casar e disse que iria se converter para ficar com ela. Assim ele fez, mas não conseguiu o objetivo logo. Os parentes de José Maia disseram que a adolescente esperou seis meses após a conversão dele para aceitar o pedido.
O casamento veio ser consumado no fim da década de 1930, aqui em Maceió. Nesta época, os dois moravam no bairro do Prado. Desta união vieram nove filhos: Moacir, Vandete, Luziene, Eliezer, Elier, Elienai, Eliene e Elenildo.
Foi no Prado que José Maia deu os primeiros passos no ministério. Neste bairro, ele foi separado para auxiliar-porteiro e diácono. Na década de 1950 foi consagrado a presbítero pelo pastor Antônio Rêgo Barros. Passou algum tempo – a família não soube precisar o período – dirigindo alguns cultos em congregações espalhadas pela capital a pedido dos obreiros do templo-sede.
Ainda naquela década, ele comprou um sítio na Avenida Maceió, no Tabuleiro do Martins, onde foi morar com a família. O pastor Rêgo Barros o designou para cuidar da congregação naquele bairro e lá permaneceu por 14 anos e 6 meses. Antes disso, o consagrou presbítero com ação pastoral.
No Tabuleiro, José Maia fez um notável trabalho. Fundou o trabalho em Tabuleiro Novo, Santa Lúcia, Nascença e no Mocambo, ainda dando suporte em Rio Novo, Fernão Velho e Satuba. Cuidou das almas com muito amor, aconselhava e não media distância para fazer visitas aos membros da igreja. Fundou nesta congregação o Círculo de Oração, o Coral Saltério Divino, o conjunto infantil Estrela da Manhã e a Comissão Evangelizadora de Visitação.
No início da década de 1970 deixou o Tabuleiro e foi remanejado para Jacuípe, primeiro campo a receber os cuidados dele. Neste município, Maia fazia culto em uma fazenda longe do centro, sempre uma vez por semana. Para isso, saía com a família a pé por volta das 15h30 e chegava à localidade três horas depois. Para evitar transtornos ao retornar, a reunião durava em média uma hora e meia.
Após cinco meses, o então pastor-presidente Manoel Pereira decidiu enviar o pastor Juvenal Pedro para pastorear o rebanho em Jacuípe e trouxe José Maia para Maceió. Pouco tempo depois Maia estava na congregação em Pilar, onde passou apenas três meses de preparação para assumir o campo de Satuba.
Dois fatos ocorridos nesta cidade ainda estão vivos na memória dos parentes dele. Numa ocasião foi chamado para expulsar um demônio que possuía a vida de uma senhora. José Maia chegou ao local louvando que o sangue de Jesus o tinha lavado e ficou surpreendido com a voz maligna do adversário perguntando por que tinham chamado aquele homem de Deus para expulsá-lo. O espírito ainda disse que o pastor era filho do Rei e com ele ninguém podia. Dito isto, deixou o corpo da senhora.
Em outra ocasião, ainda em Satuba, um irmão chamado Aureliano chamou o pastor José Maia para orar pela sua filha que estava agonizando em cima da cama. Durante a oração, a menina se levantou para a glória de Deus.
Foi nesta época que a dona Marina faleceu, vítima de caso clínico, e José Maia casou – em 1972 – com Aurenia Cavalcante Maia.
Com o tempo encerrado em Satuba, três anos e seis meses, deixou o campo e seguiu para Capela, onde ficou por mais três anos e seis meses. Neste município ainda trabalhou muito para o Senhor Jesus, mas estava adoecendo aos poucos. O diabetes que o perseguia desde 1950 começava a incomodar e precisou solicitar a saída do campo para tratar da saúde.
Em 1982 apareceu uma ferida no calcanhar, sendo esta parte do corpo amputada. Fez enxerto e melhorou, mas apareceu o mesmo problema no outro pé agravando o quadro clínico. Com sucessivas pioras, as duas pernas de José Maia foram amputadas. A taxa de glicose chegava a 900. Mesmo assim, ainda sentia forças para não murmurar e para cantar vários hinos da Harpa Crista, a exemplo do número 2 “Saudosa Lembrança”.
Mesmo desenganado pelos médicos, José Maia sobreviveu cinco anos com o agravamento da doença. Faleceu aos 67 anos, no dia 4 de novembro de 1985.
LIÇÕES
Para Eli Maia, um dos filhos de José Maia, a maior lição deixada pelo pai foi o grande ensinamento cristão. “Agradeço a Deus pelas instruções que o meu pai me deu. Eles serviram para nos trazer vida até hoje”, disse.
Comungando com a mesma opinião, Elier Maia acrescentou que a postura honesta e de sinceridade do homem da casa faz do pastor Maia um grande exemplo. “Ele nos criou sempre no temor do Senhor, dentro da casa de Deus, ensinou como deveríamos entrar e sair e a respeitar para sermos respeitados”, revelou.
É com muita alegria e satisfação, de ver na galeria dos pastores, a vida e testemunho do Pr José Maia, pai do meu querido amigo e irmão em cristo Eliezer Maia, conhecido como (Eli). Não tive o privilégio de conhecer este homem de Deus, porém atravéz de seu filho Eli que tanto estimo, já dá pra peceber quem era esse homem.
Parabéns a todos do Jornal Novas de Esperança.
Conheci este servo de Deus ainda na minha fase de criança, dedicado a obra do Mestre, afeito a obra de evangelização se destacou nas igrejas por onde passou, lembro-me de seu semblante sorridente nas vezes em que nos encontrávamos por ocasião da ceia em Maceió na casa pastoral, homem de bom trato fez inúmeros amigos e foi exemplo para os que vieram após sua partida, são destes que nos sentimos honrados em tê-los como ministros do egrégio ministério alagoano. OBRIGADO PASTOR MAIA.
